11 minutos para a Meia-Noite
Sobre o Relógio da República
O Relógio da República é uma ferramenta simbólica que busca refletir, de forma crítica e provocativa, o estado atual da ordem constitucional brasileira. Inspirado em iniciativas internacionais semelhantes, este projeto traduz, em linguagem visual, a percepção coletiva de um conjunto de cidadãos sobre a estabilidade — ou fragilidade — das instituições democráticas do país.
Não se trata de previsão científica ou de diagnóstico jurídico, mas de uma representação conceitual: um termômetro político, alimentado por análises, sensações e inquietações diante dos acontecimentos que moldam o presente da República.
Exposição Número 01 - 24 de julho de 2025
Status: Extraordinário.
Comissão: Um membro.
Resultado Final: O Relógio da República marca 49 minutos, 11 minutos para a meia-noite.
O Relógio da República marca 11 minutos para a meia-noite, esse valor inicial destaca-se como um ponto fora da proposta maior do projeto, uma vez que a comissão que o definiu, pela própria natureza inicial e extraordinária, contou com a participação apenas de 1 pessoa.
Apesar disso, foram analisados quase 70 pontos críticos sobre a atual situação do Brasil, entre eles, alguns dos tópicos gerais mais relevantes foram: Governança e Instituições Políticas; Estabilidade Econômica; Segurança Nacional e Pública; Coesão Social; Relações Internacionais; e, Coesão Cultural. Dentre esses, Segurança Pública e Instituições Políticas foram os que mais contribuíram para o mau desempenho da sexta república no indicador, destacando-se principalmente a ocupação territorial por organizações armadas e a crise recente entre os poderes da União.
Algumas outras observações feitas que pesaram negativamente para o Brasil foram:
- Ainda que de operações contra corrupção ocorrerem com certa frequência, a impunidade em grandes esquemas de corrupção e a reabilitação de políticos corruptos na vida política evidenciam a ineficiência do Estado brasileiro neste combate.
O longo processo de desindustrialização do Brasil somado à dependência de exportação de commodities e produtos agro derivados aumentam significativamente a dependência econômica em um único setor.
A má gestão econômica crônica e instabilidade política levaram o real a perder 87% do seu poder de compra desde sua implementação.
Os conflitos entre organizações criminosas e forças brasileiras são frequentes, além do mais, são intensos os embates de terra nas áreas rurais em todo o país, incluso motivos étnicos indígenas e movimentos sem-terra. No Rio de Janeiro, uma organização chamada Tropa de Arão, promove a perseguição religiosa contra qualquer grupo não-neopentecostal (Narcopentecostalismo).
Um ataque digital no sistema do Banco Central desviou até 1 bilhão de reais em julho deste ano e até hoje não se sabe ao certo como foi executado. Ainda esta semana, o vazamento de dados bancários de mais de 11 milhões de contas do sistema PIX reforçam esta ideia de insegurança digital dos sistemas públicos do brasil.
Nem todos os grupos minoritários são valorizados, culturas brasileiras derivadas de poloneses, ucranianos e alemães por exemplo foram amplamente perseguidas no século XX e hoje em dia não são protegidas ou representadas com a mesma proporção que outros grupos menores são.
Respostas inefetivas à eventos climáticos extremos, que causam centenas de mortes por ano no Brasil.
O Brasil está perdendo suas parcerias estratégicas se alinhando ao eixo das ditaduras.
A ineficiência dos mecanismos de participação cidadã no Brasil como o portal e-cidadania levanta questionamentos sobre a real distorção entre as elites políticas e a vontade popular.
O Brasil recentemente se envolveu em uma guerra comercial e crise diplomática severa com os EUA e vem piorando relações com Ucrânia e Israel.
Algumas das observações feitas que contribuíram positivamente para o Brasil foram:
- Transparência, embora a imposição de sigilo sobre documentos relevantes para o público, na imensa maioria dos casos a população tem livre acesso a informações governamentais no Brasil.
- Abertura de novos mercados, ainda que a alta dependência em três mercados, China, EUA e UE, a busca por novos mercados é positiva para o comércio global e é um posicionamento externo tradicional no Brasil.
Inclusão social e Igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, incentivada por um amplo sistema de cotas.
Respeito ao direito internacional, conformidade com tratados e normas globais.
Participação em organizações internacionais, atuação ativa em ONU, OMC, etc.
- Infraestrutura, apesar de a infraestrutura atual brasileira não ser excelente, ser mal planejada e gerida, o Brasil busca novos meios de investimento em transporte energia e comunicação, em especial através de capital chinês. O atraso significativo do programa nuclear brasileiro e espacial pesa negativamente para o país
- O Brasil vive em relativa paz e não há riscos significativos contra as fronteiras nacionais, mas a recente crise entre Venezuela e Guiana, levantou sérios questionamentos sobre a capacidade de resposta militar do brasil. Outros episódios como, em 2024, a suspensão do sistema Starlink que expos uma falha significativa de comunicação do exército brasileiro e o recebimento de 2 navios militares iranianos também levantaram questões sobre a legitimidade e alinhamento das forças armadas brasileiras.
- A recente campanha “Soberana” do governo federal, pobre por sua própria natureza, levantou sério questionamento sobre respeito às diferenças culturais regionais no Brasil visto que o próprio governo só exaltou como "cultura brasileira" aspectos culturais do eixo Rio-São Paulo-Brasília.
Mobilidade Social. Embora hoje em dia os meios digitais, casas de apostas, práticas pornográficas, meios ilícitos e do tráfico, assim como meios corruptos políticos, sejam, na prática, os principais meios de mobilidade social, não se pode negar que há caminhos no país para a ascensão.
O combate a grupos armados no segundo semestre;
O desempenho do Partido Missão nas eleições de 2026 vai ser determinante para o relógio, visto a defesa aberta do fim da ordem constitucional de 1988;
A resolução do processo de Bolsonaro no STF;
As eleições de 2026;
- A COP30.

